
A maioria dos povos faz declarações sobre a necessidade de união, especialmente em tempos difíceis. A atual crise económica causada pela pandemia de coronavírus é um desastre que testa não apenas o nosso mundo em termos de estabilidade, mas também o verdadeiro preço da relação.
O surto de coronavírus é a primeira pandemia global nos últimos 100 anos e o mundo inteiro revelou-se não estar preparado para isso, tanto psicologicamente como financeiramente. Em condições de paralisia da vida pública e da atividade económica, uma enorme carga no sistema de saúde e nas finanças públicas, é especialmente importante haver uma abordagem competente e ponderada das autoridades.
Neste contexto, a comunidade internacional elogiou as ações do governo português no combate a doença e as suas consequências socioeconómicas. Decisões oportunas e a vontade da população de implementá-las da forma consistente trazem resultados. Muitos especialistas consideram Portugal um dos exemplos do êxito na luta contra a pandemia, que possibilitou limitar o número de vítimas comparando com o cenário dramático de vários outros países, além de fornecer uma assistência económica em larga escala aos seus cidadãos.
O Cazaquistão também tomou as medidas necessárias para apoiar a população e a área de negócios. A todos os cidadãos que perdem os seus empregos ou se encontram numa situação financeira complicada, o Estado fornece assistência financeira. Foram tomadas medidas para adiar pagamentos e empréstimos, cancelados o acúmulo e pagamento de impostos e outros pagamentos durante os próximos seis meses, assistência direcionada aos setores mais afetados da economia, etc.
Em 13 dias na capital do Cazaquistão Nur-Sultan foi construído e colocado em funcionamento um hospital de doenças infecciosas para pacientes com o coronavírus. Está planeada a abertura de 2 hospitais similares nas cidades Almaty e Shimkent.
Apesar das consequências negativas da crise de coronavírus e da queda nos preços da energia, o Cazaquistão procura ajudar aos seus vizinhos, os mais próximos e não só. Recentemente, o Presidente do Cazaquistão Kassym-Zhomart Tokayev decidiu prestar assistência humanitária ao Quirguistão e ao Tajiquistão, fornecendo farinha na quantidade de 5 mil toneladas para cada país, totalizando mais de US $ 3 milhões. Em fevereiro, o Cazaquistão foi um dos primeiros a prestar o apoio ao país-parceiro China durante a epidemia de COVID-19 com várias entregas de equipamento de proteção médica.
A prontidão para ajudar aos outros faz parte da visão de mundo do povo cazaque, que sofreu choques graves ao longo da sua história.
Além da revolução e das duas guerras mundiais, o povo do Cazaquistão passou por fome massiva e repressões nos anos 30, a deportação de outros povos da antiga União Soviética e anos de testes nucleares. Nessa altura, os cazaques sempre apoiaram os povos de outras nacionalidades que moravam na sua proximidade, porque hospitalidade, compaixão e preocupação com os outros sempre foram o componente central da identidade nacional do nosso povo.
Desde o início da sua independência, conquistada em dezembro de 1991, o Cazaquistão seguiu o firme caminho de contribuição na solução dos problemas mundiais. De acordo com a política externa do Primeiro Presidente Nursultan Nazarbayev, nos primeiros anos, o nosso país prestou assistência humanitária a outros países no valor de mais de US $ 500 milhões.
Hoje, nós ajudamos não apenas aos países vizinhos, mas também aos Estados do Médio Oriente, África e América Latina. Especialmente, deveríamos destacar o Afeganistão, o nosso vizinho regional, que está em estado de guerra há décadas. O nosso país não apenas regularmente fornece farinha e cereais aos afegãos, mas também ajuda a construir escolas, hospitais, estradas e também ensina a sua juventude.
A recuperação da pandemia vai ser um processo difícil e demorado. No entanto, acredito que, agindo em conjunto, a comunidade internacional não apenas vai superar esta crise global, mas também vai construir um mundo renovado no qual os ideais de humanismo, apoio mútuo e compaixão vão reter o seu valor duradouro.
De acordo com o Decreto do Presidente do Cazaquistão sobre a abertura da Embaixada em Portugal, assumi as minhas funções em outubro do ano passado. Durante os seis meses da minha estadia aqui, fiquei com muitas impressões sobre o país e o seu povo. O Cazaquistão e Portugal são países muito diferentes que têm mais diferenças que semelhanças - em termos de território, localização geográfica, história, clima e tradições. E, no entanto, não estamos tão distantes um do outro, como geralmente se acredita. A visão do mundo dos portugueses é, em vários aspectos, semelhante à nossa. Também são semelhantes muitos traços de caráter das duas nações, incluindo tolerância, valores familiares, simpatia, hospitalidade, alegria e desejo de alcançar os novos horizontes.
Nos primeiros meses do trabalho da Embaixada, antes da crise causar a pandemia e a introdução de restrições, após a realização de dezenas de reuniões com os novos parceiros, fiquei convencido do grande potencial de cooperação mutuamente benéfica entre os nossos países nos campos da indústria, engenharia, energia, TI, agricultura e o complexo agroindustrial, construção e turismo. De grande interesse para nós são a experiência e as tecnologias de Portugal no domínio da gestão da água, agricultura e aquicultura. Hoje, no Cazaquistão, já existem cerca de 30 empresas com participação portuguesa, e estamos a trabalhar no sentido de aumentar o seu número.
Enquanto Portugal é o país mais ocidental da Europa continental, sendo um portal para os países de língua portuguesa da América e da África, o Cazaquistão é uma porta de entrada para a região da Ásia Central. A participação do Cazaquistão na União Económica da Eurasiática e a nossa vizinhança com a China oferece grandes oportunidades para a criação de joint-ventures no Cazaquistão, a fim de promover produtos nos mercados do EAEU, da Ásia Central e da China. As perspetivas da nossa cooperação tornaram-se ainda mais amplas desde o dia 1 de março deste ano, quando o Acordo de Parceria e Cooperação Reforçada entre o Cazaquistão e a União Europeia e os seus Estados membros entrou em vigor.
Falar sobre áreas promissoras da nossa cooperação pode não parecer a alguém apropriado hoje. No entanto, acredito que não devemos perder de vista o futuro e que devemos planear a nossa cooperação hoje após o termino do bloqueio e das medidas restritivas.
E, da mesma maneira que agindo em conjunto e prestando a assistência oportuna a quem precisa, podemos superar a crise e minimizar as suas consequências negativas para as economias e sociedades dos nossos países e vizinhos, fortalecendo e desenvolvendo os nossos laços, nós podemos retornar mais rapidamente aos caminhos de crescimento das nossas economias.
Como dizem os cazaques: Qol ustasquandar qulamaidy! - De mãos dadas, não se cai!
Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Cazaquistão na República Portuguesa